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sexta-feira, 11 de maio de 2012

SÓCRATES NA ANA ROSA



 - E se tudo em que você acreditasse não fosse verdade?

- Como assim?

- Sua mãe, por exemplo, ela é um amor, faz tudo por você... Não é assim?
- É. E daí?

- Daí que é isso que você acha, que bom. Mas e se não fosse verdade e você não conseguisse enxergar?

- Então, não teria importância. O que vale é a verdade que eu vivo.
- Mas, e se a realidade fosse outra e por não perceber isso você vivesse um sonho, prisioneiro dele?

- Se sou prisioneiro e não sei e vivo bem com isso, que diferença faz?
- Nenhuma. Mas, e se você pudesse viver melhor se acreditasse em outra verdade?

- Então, eu seria outra pessoa.
- E se você for essa outra pessoa que acredita ser você?

- Então, eu devo ser louco. E você quem é?
- Eu sou o cara que te pediu um trocado para inteirar a passagem. Mas, não mude de assunto.  É mais fácil se assumir louco do que covarde, não?

- Sei lá, velho! Mas por que você está me fazendo todas essas perguntas?
- Porque você me perguntou se era mesmo verdade que eu preciso de dinheiro para a passagem.

- Tá certo... Olha, toma aqui R$ 10,00. Agora some!
- Muito obrigado, de verdade!

  

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